
EIXO temático 7
DESNATURALIZANDO O DIGITAL: EDUCAÇÃO, CIDADANIA E FUTUROS TECNOLÓGICOS
Coordenadores:
Dr. Breno Rodrigo de Oliveira Alencar (Instituto Federal do Pará)
E-mail: breno.alencar@ifpa.edu.br
Dr. Alejandro Daniel Spiegel (Universidade de Buenos Aires)
E-mail: spiegelalejandro@gmail.com
Resumo: A crescente incorporação de tecnologias digitais às práticas sociais, educativas, culturais, econômicas e políticas tem sido acompanhada por discursos que frequentemente associam inovação tecnológica a progresso, eficiência e transformação social. Entretanto, a apresentação dessas tecnologias como necessárias, neutras ou inevitáveis pode obscurecer os processos históricos, as relações de poder e as escolhas coletivas que condicionam seu desenvolvimento e sua apropriação.
Partindo de contribuições das Ciências Humanas e Sociais, especialmente dos estudos críticos da tecnologia, da educação e da cibercultura, este Grupo de Trabalho propõe discutir os processos de naturalização do digital e suas implicações para a produção do conhecimento, a cidadania e a construção de futuros tecnológicos.
A proposta dialoga com reflexões sobre o pertencimento à chamada "família digital", a desorientação artefatual e o pacto fáustico da modernização tecnológica, bem como com a hipótese do tecnicídio, compreendido como processo de deslegitimação, subordinação ou substituição de técnicas, competências e saberes socialmente constituídos diante de sistemas tecnológicos apresentados como superiores ou inevitáveis.
O GT pretende reunir pesquisadores das Ciências Humanas e Sociais, educadores, estudantes, integrantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil interessados em compreender, questionar e transformar as mediações tecnológicas presentes na vida cotidiana. Serão acolhidas contribuições teóricas, pesquisas empíricas e análises de experiências educativas, comunitárias e coletivas que examinem criticamente as relações entre tecnologias, desigualdades, produção do conhecimento, participação cidadã e transformação social.
Em diálogo com perspectivas que reconhecem a dimensão política da tecnologia e a educação como prática de formação crítica, o GT busca superar tanto a celebração acrítica da inovação quanto sua rejeição generalizada. Interessa compreender em que condições as tecnologias ampliam capacidades e direitos, quando reproduzem desigualdades ou subordinam conhecimentos existentes e como diferentes sujeitos sociais constroem alternativas aos modelos tecnológicos dominantes.
Ao problematizar a ideia de um futuro tecnológico único e inevitável, a proposta reconhece a pluralidade de experiências, conhecimentos e projetos sociais envolvidos na transformação tecnológica. Desnaturalizar o digital significa, nesse sentido, recuperar a possibilidade de compreender suas condições históricas de existência, tornar discutíveis suas formas de organização e ampliar a participação social nas decisões sobre os futuros tecnológicos.
Objetivos
-
Analisar criticamente os processos de naturalização das tecnologias digitais, identificando os discursos, as relações de poder e os mecanismos de legitimação que as apresentam como neutras, necessárias ou inevitáveis em diferentes contextos sociais.
-
Promover o intercâmbio interdisciplinar entre pesquisadores, educadores, estudantes e movimentos sociais sobre as implicações educacionais, culturais, políticas e epistemológicas das tecnologias digitais, considerando seus efeitos sobre os direitos, as desigualdades e a produção do conhecimento.
-
Dar visibilidade e discutir experiências de participação, apropriação crítica e transformação sociotécnica que contribuam para a democratização das decisões tecnológicas e para a construção coletiva de futuros alternativos.
Público-alvo
O Eixo Temático destina-se a pesquisadores das Ciências Humanas e Sociais, especialmente da Antropologia, Sociologia, Ciências da Educação, História, Filosofia e dos estudos de comunicação, cultura e tecnologia; docentes e estudantes de graduação e pós-graduação; integrantes de grupos de pesquisa; e representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, coletivos comunitários e comunidades tradicionais.
São especialmente convidados aqueles que desenvolvem pesquisas, práticas educacionais ou experiências de organização coletiva voltadas à compreensão, ao questionamento e à transformação dos processos de naturalização tecnológica.
Serão acolhidas contribuições teóricas, pesquisas empíricas e análises de experiências sociais e educacionais que promovam o diálogo entre o conhecimento acadêmico e os saberes produzidos em diferentes territórios e espaços de participação cidadã.
Coordenadores

Dr. Breno Rodrigo de Oliveira Alencar

Alejandro Daniel Spiegel