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Minicurso 4
GENEALOGIA MONSTRUOSA: UMA ANÁLISE DAS TRANSFORMAÇÕES NA REPRESENTAÇÃO DA FAMÍLIA NO CINEMA DE HORROR CONTEMPORÂNEO
Proponentes
Ana Karolina Aparecida Alves da Silva
Graduada em História e mestranda em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com pesquisa voltada ao cinema slasher, à representação da família e às questões de gênero, sexualidade e raça no cinema de horror. E-mail: skarol513@gmail.com / karolina.silva@unifesp.br
Quantidade de vagas: Livre
Ementa: O presente minicurso propõe uma breve análise histórica das transformações na representação da família no cinema de horror contemporâneo, a partir de uma seleção de filmografia, da década de 1960 à contemporaneidade. Parte-se da análise da família como núcleo idealizado, patriarcal e heteronormativo entre as décadas de 1960 e 1970, para examinar, nos anos 1980 e 1990, as novas configurações familiares como ausentes e/ou disfuncionais. Em seguida, o minicurso apresentará as produções contemporâneas, entre as décadas de 2000 e 2020, nas quais a família passa a ser retratada como espaço de violência e horror. A partir disso, pretende-se discutir no minicurso como essas transformações de representação refletem as tensões sociais, culturais e políticas, compreendendo o horror como gênero cinematográfico capaz de problematizar e questionar modelos normativos de família ao longo do tempo.
Público-alvo
Público em geral.
Metodologia
O minicurso está organizado em três encontros on-line, de caráter expositivo e participativo
Atividade prática e avaliação
O minicurso tem caráter formativo e dialógico, não prevendo avaliação formal nem atividades práticas. A dinâmica baseia-se na interação entre a ministradora e o público, valorizando a participação, o engajamento e as contribuições dos participantes ao longo dos encontros
Desenvolvimento do minicurso
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Plataforma: Google Meet.
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Duração: 3 dias.
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Carga horária: 6 horas.
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Datas e horários: 25, 26 e 27 de maio, das 9h às 11h.
Programação detalhada do minicurso
1º dia (25 de maio de 2026, das 9h às 11h):
Apresentar a ideia da família como núcleo idealizado e vítima no cinema de horror entre as décadas de 1960 e 1970; compreender o núcleo familiar em filmes de horror como símbolo de ordem, estabilidade e segurança; e analisar como determinadas obras apresentam o mal como elemento externo que invade o seio familiar.
2º dia (26 de maio de 2026, das 9h às 11h):
Compreender a crise da família no cinema de horror entre as décadas de 1980 e 1990, a partir da ausência e de seus conflitos; analisar as transformações de sua representação no gênero a partir do divórcio e da crise da autoridade patriarcal; e compreender o espaço doméstico como cenário de tensão.
3º dia (27 de maio de 2026, das 9h às 11h):
Analisar as atuais representações da família, onde se desloca o núcleo familiar de vítima para agente da violência, no cinema de horror entre os anos 2000 e 2020; investigar a genealogia monstruosa e a monstruosidade em si como herança simbólica; e compreender os atuais filmes de horror como crítica ao conservadorismo e como espaço de contestação.
Objetivos do minicurso
Apresentar e analisar as transformações nas representações da família no cinema de horror, da década de 1960 à contemporaneidade, a fim de investigar como as diferentes configurações familiares - da família idealizada para a ausente até a monstruosa - podem expor e problematizar as tensões sociais, culturais e políticas em diferentes contextos históricos.
Diálogo com o evento
O diálogo entre o presente minicurso e o IV Congresso Internacional de Humanidades Digitais, Cultura e Ensino & V Simpósio Nacional em Mídias, Tecnologias e História se dá pela compreensão e pela mobilização do cinema como fonte histórica e cultural, capaz de produzir e tensionar o imaginário social ao longo do tempo. Ao articular os estudos de História, cultura e cinema, o minicurso propõe metodologias de análise e seleção de filmografia e cenas, enfatizando o papel das tecnologias e das mídias na interpretação crítica das imagens, contribuindo para as discussões do evento.
Referências
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