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Minicurso 27

LABORATÓRIO DE CURADORIA DIGITAL: DA INQUISIÇÃO PORTUGUESA À SANTIDADE AMERICANA

Proponentes

Alex Rogério Silva

Graduado (Lic/Bac), Mestre e doutorando em História e Cultura Social pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – FCHS – da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP/Câmpus de Franca. Graduado (Lic) em Letras – Português pelo Claretiano – Centro Universitário e Doutor em Estudos de Literatura pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Servidor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). E-mails: alex.rogerio@uftm.edu.br/alexrogerio@unesp.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8482-0959.  

​Quantidade de vagas: 30

Ementa: 

Este minicurso propõe uma imersão teórica e prática no uso de repositórios digitais para o Ensino de História e a História Pública. A atividade articula conjuntos documentais diversos — como os processos da Inquisição Portuguesa (Torre do Tombo), as Cantigas de Santa Maria e o Processo Ordinário de Canonização de Santa Rosa de Lima — sob a ótica das Humanidades Digitais. O objetivo é capacitar os participantes a transpor o conhecimento especializado para a esfera pública, utilizando o tratamento digital de fontes para combater negacionismos e promover uma educação histórica crítica. A metodologia divide-se em módulos que abordam desde a discussão conceitual das Humanidades Digitais até a aplicação prática de técnicas para a localização, análise e transposição didática desses documentos, discutindo como o acesso online a conjuntos documentais complexos pode renovar o Ensino de História. Como resultado, espera-se que os participantes desenvolvam estratégias pedagógicas que utilizem o ambiente digital como uma “zona de contato” entre a academia e a sociedade.

Público-alvo

Público em geral.

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Metodologia

O minicurso será estruturado em três módulos, com carga horária total de 3h. (um dia):

  • Links de acesso direto aos repositórios (Ex: Digitarq da ANTT e documentos online das Cantigas de Santa Maria e do Processo Ordinário de Canonização de Santa Rosa de Lima);

  • Uso de ferramentas de anotação colaborativa (como Padlet ou Miro) para sistematizar os indícios encontrados nas fontes.

 

Atividade prática e avaliação

a definir

Desenvolvimento do minicurso

  • Plataforma: Zoom ou Google Meet

  • Duração: 1 dia.

  • Carga horária: 3 horas.

  • Datas e horários: dia 27 de maio de 2026, das 19h às 22h.

Programação detalhada do minicurso

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Dia 27 de maio de 2026, das 19h às 22h.

  • Discussão do Conceito e Aplicação das Humanidades Digitais: Este estágio inicial dedicar-se-á à reflexão teórica sobre o que define as Humanidades Digitais, superando a visão técnica de “uso de computadores” para compreendê-las como uma prática colaborativa, dialógica e socialmente comprometida. Discutiremos como o tratamento digital permite novas formas de agência histórica e o tensionamento de discursos hegemônicos.

  • Laboratório de Curadoria Digital: Exercício prático de navegação nos sistemas da Torre do Tombo (Inquisição) e análise das Cantigas de Santa Maria e do Processo Ordinário de Canonização de Santa Rosa de Lima.

  • Análise Documental e Oficina de Transposição: Elaboração coletiva de uma atividade para sala de aula a partir dos documentos apresentados e oriundos dos repositórios digitais (uso de imagem/iconografia, transcrição de trechos documentais e análise de texto poético e/ou iluminuras medievais).

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Objetivos do minicurso

  • Discutir as Humanidades Digitais como ferramenta de preservação e difusão do patrimônio documental;

  • Apresentar os principais repositórios digitais para o estudo da Idade Média e Época Moderna;

  • Propor roteiros pedagógicos que utilizem fontes primárias digitais para o ensino de História Medieval, História da América, História Ibérica e História das Religiões.

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Diálogo com o evento

A consolidação das tecnologias digitais e a expansão das redes de comunicação remodelaram profundamente a produção, circulação e interpretação das narrativas sobre o passado. No entanto, a abundância de dados exige que o historiador atue como um mediador crítico, capaz de navegar em repositórios institucionais e converter documentos especializados em saberes públicos. Nesse cenário, a História Pública afirma-se como um campo plural, voltado a intervir criticamente no modo como o passado é mobilizado na esfera pública. A escolha das fontes (Inquisição Portuguesa, Cantigas Medievais e Processos de Canonização) justifica-se pela riqueza de “rastros” e “indícios” sobre a vida cotidiana, as relações de poder e a cultura social em uma perspectiva de “longa duração”. Esta proposta justifica-se pela necessidade de formar sujeitos críticos capazes de navegar em repositórios digitais e identificar estratégias de poder na construção de discursos históricos, especialmente em tempos de desinformação e negacionismos.

Referências

ALMEIDA, Juniele Rabêlo de; ROVAI, Marta Gouveia de Oliveira (org.). Introdução à História Pública. 1. ed. São Paulo: Letra e Voz, 2011.

ALVES, Daniel. As Humanidades Digitais como uma comunidade de práticas dentro da História. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 9, n. 20, p. 161-177, 2016.

BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália - séculos XV-XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

FIDALGO, Elvira. As Cantigas de Santa Maria. Vigo: Edicións Geraes de Galicia, 2002.

HART, Stephen M. Santa Rosa de Lima: la evolución de una santa. Lima: Editorial Cátedra Vallejo, 2017.

LEÃO, Ângela Vaz. Cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio: aspectos culturais e literários. 2. ed. rev. e aum. Belo Horizonte: Veredas & Cenários, 2015.

LUCCHESI, Anita. Digital History e História Pública Digital: desafios e horizontes para o historiador no século XXI. História Crítica, Bogotá, n. 53, p. 119-137, jul./set. 2014.

MARCOCCI, Giuseppe; PAIVA, José Pedro. História da Inquisição portuguesa (1536-1821). Lisboa: A Esfera dos Livros, 2013.

MAUAD, Ana Maria; ALMEIDA, Juniele Rabêlo de; SANTHIAGO, Ricardo (org.). História Pública no Brasil: sentidos e itinerários. São Paulo: Letra e Voz, 2016.

PIMENTA, Ricardo M. Humanidades Digitais: um campo em construção. Rio de Janeiro: IBICT, 2018.

PINILLA, Ramón Mujica. Rosa limensis. Mística, política e iconografía en torno a la patrona de América. Lima: Banco Central de Reserva del Perú; Fondo de Cultura Económica; IFEA, 2001.

TEIXEIRA, Igor Salomão. Os processos de canonização como fontes para a história social. Revista Signum, v. 14, n.º 2, p. 131-150, 2013.

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