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Minicurso 7
MASCULINIDADES EM REDE: RADICALIZAÇÃO DIGITAL E OS DESAFIOS NO ENSINO DE HISTÓRIA.
Proponentes
Letícia Costa Silva
Licenciada, mestra e doutoranda em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), bolsista do Programa de Bolsas de Monitoria de Pós-Graduação da UDESC, professora dos anos finais da rede municipal de Governador Celso Ramos. Desenvolve pesquisa sobre masculinismos online.
Luiza Sarraff
É bacharel e licenciada pela Universidade Federal Fluminense, mestre e doutora pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e atualmente é bolsista de Pós Doutorado da Universidade do Estado de Santa Catarina. Desenvolve pesquisas sobre livros didáticos, currículo, docentes e teoria da história.
Quantidade de vagas: livre
Ementa:
Este minicurso analisa a radicalização dos discursos masculinistas e seu impacto na juventude contemporânea. Investiga-se a proliferação da misoginia nas redes sociais e as estratégias de grupos como RedPill e Incels, que utilizam postagens mainstream para cooptar jovens e normalizar ideologias de exclusão no cotidiano digital.
A formação discute os reflexos desse fenômeno no ambiente escolar, com foco no Ensino de História. Examina-se como currículos e livros didáticos historicamente omitiram discussões de gênero e de que forma o atual avanço conservador — exemplificado por movimentos como "Escola sem Partido" — impõe um clima de vigilância e medo aos docentes.
Por fim, o curso propõe possibilidades de reflexão para enfrentamento dessas questões no cotidiano escolar. O objetivo é instrumentalizar educadores para enfrentar retrocessos e reafirmar a escola como um espaço crítico, democrático e promotor da equidade.
Radicalização dos discursos misóginos através das redes sociais, captação e cooptação de jovens por grupos masculinistas, principais grupos (RedPill, incel), linguagem masculinista em postagens mainstream, reflexo nas escolas e salas de aula, possibilidades de abordagem do problema nas aulas de linguagens e humanidades.
Público-alvo
Público em geral.
Metodologia
Exposição oral e multimídia de trabalhos acadêmicos recentes sobre o tema, análise de casos e debate.
Atividade prática e avaliação
Debate sobre casos concretos e levantamento de ideias de enfrentamento na educação básica.
Desenvolvimento do minicurso
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Plataforma: Teams.
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Duração: 2 dias.
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Carga horária: 6 horas.
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Datas e horários: 20 e 21 de maio de 2026, 19h às 22h
Programação detalhada do minicurso
1º dia (20 de maio de 2026, 19h às 22h):
Apresentação do histórico do masculinismo e do extremismo nas redes, com ênfase no seu avanço durante a onda conservadora. Discussão sobre o apagamento histórico das mulheres na historiografia e ensino de História.
2º dia (21 de maio de 2026, 19h às 22h):
Apresentação das políticas curriculares no Brasil(PCN’s, BNCC) e o apagamento das discussões de gênero nos currículos e livros didáticos. O surgimento do Escola Sem Partido e o pânico docente. Possibilidades de enfrentamento a misoginia e ao machismo.
Objetivos do minicurso
Perceber a associação entre atitudes misóginas e preconceituosas nas escolas e o aumento de conteúdos extremistas em redes sociais; discutir o papel do professor frente a esse impasse.
Os objetivos deste minicurso articulam-se em torno da compreensão e do enfrentamento da misoginia digital no ambiente educativo. Em paralelo, o curso visa problematizar as omissões curriculares e historiográficas, promovendo uma reflexão crítica sobre o apagamento das mulheres nos livros didáticos e a resistência às discussões de gênero frente ao avanço de movimentos de vigilância, como o "Escola sem Partido". Por fim, objetiva-se fornecer subsídios teóricos e metodológicos para que educadores possam desconstruir discursos de ódio, promover o letramento midiático e consolidar a escola como um espaço democrático de promoção da equidade.
Diálogo com o evento
Este minicurso alinha-se às premissas do Grupo de Pesquisa MITECHIS ao investigar as Tecnologias Digitais (TDIC) como campos de disputa social e ideológica. Sob a ótica da Consciência Histórica, a proposta analisa a radicalização masculinista (RedPill/Incels) como um fenômeno que utiliza a comunicação digital para normalizar a exclusão, desafiando a suposta neutralidade técnica.
Ao discutir a cooptação de jovens e o impacto do conservadorismo nas escolas, o minicurso integra a investigação histórica às Humanidades Digitais, propondo que o enfrentamento à misoginia digital é uma necessidade sociológica e cultural. Assim, o debate fortalece a missão do MITECHIS de promover um intercâmbio crítico entre o ensino de História, o letramento midiático e a resistência democrática no cotidiano escolar.
Referências
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